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Você não é psicólogo

Updated: May 19, 2020

Então, por favor, não aja como se fosse.


Sabemos que ajudar é uma atitude inerente ao ser humano, somos dotados de empatia e solidariedade. Vontade de ajudar um amigo, um grupo de pessoas, uma comunidade, etc. Podemos dar vários exemplos de como ajudas nesse sentido modificam vidas, tanto das pessoas que foram ajudadas quanto das pessoas que ajudaram.


Porém, temos visto que crescem projetos nas redes sociais (e, às vezes, fora delas) de pessoas querendo ajudar, mas sem a devida qualificação. É o caso de “projetos psicológicos” que aparecem mascarados muitas vezes de “projetos ombro amigo”, onde o objetivo é quase sempre o mesmo: “ouvir o outro quando ele não estiver bem, oferecer um suporte para a pessoa que estiver passando por problemas em casa, problemas de autoestima, autoaceitação”.


Mas até que ponto isso está certo? Quando averiguamos qual é o objetivo desses projetos, percebemos que não passam de pessoas sem a devida formação em Psicologia para desenvolver tais propostas.


Além de irresponsável, é um exercício ilegal da profissão, cabível de denúncia no conselho que rege a mesma, entre outras penalidades.


Essa atitude não deve ser tomada, pois além de errado e antiético, é muito perigoso. Afinal de contas, esses projetos lidam com vidas e traumas de pessoas, que buscam aliviar sofrimentos, muitas vezes, de uma vida inteira.


E como posso ajudar um amigo que tem problemas psicológicos?


Pode parecer complicado, mas é bem simples e conseguimos ajudar seguindo poucos passos:


  • Se colocar disposto a ouvir é bem legal, pois mostra que você está ali por ele;

  • Orientar, com jeitinho, para que ele procure ajuda médica/psicológica.


Simples, certo?


Bom, às vezes, as pessoas confundem esses dois passos, por isso é bom lembrar que a escuta só é terapêutica e eficaz quando o ouvido é qualificado. O que queremos dizer com isso? Que só psicólogos têm qualificação para realizar apoio psicológico.


Quando projetos, como os que falamos acima, são criados, acabam extrapolando limites que não deveriam. Querer ajudar o próximo é uma atitude linda, mas é bem melhor indicar um profissional do que criar algo que você não dará conta de fazer.


Em relação às nossas próprias vivências nas redes sociais, não fazer parte e/ou apoiar a cultura dos ditos “exposeds” é essencial para a saúde mental alheia e algo que muitas pessoas esquecem, quando “estar certo” ou “ser sensato” parece muito mais atrativo do que ajudar alguém. Portanto, caso você saiba ou veja alguém cometendo uma atitude que lhe aparenta ser equivocada ou prejudicial, seja gentil e converse com ela de forma que não a cause constrangimento (de preferência, de forma privada), pois resolver uma situação civilizadamente é a melhor forma da saúde mental, de ambos os lados, não serem prejudicadas.


Outras informações que podem ajudar


O atendimento online é uma modalidade que o Conselho Federal de Psicologia autoriza e é tão eficaz quanto o atendimento presencial. Em tempos de pandemia, em virtude da COVID-19, esse tipo de atendimento é a melhor escolha e, às vezes, necessária. Pensem nisso!


Além de profissionais qualificados, quem passa por algum momento de crise, pode ligar para o CVV (Centro de Valorização da Vida) no número 188. O atendimento é feito 24h, por pessoas que estão aptas para ajudar.


Lembre-se que saúde mental é um assunto sério e deve ter espaço e reconhecimento de profissionais qualificados para falar sobre! Se estiver passando por alguma situação, busque por ajuda profissional!

by Gardênia Pereira

Fotografia: 김희준 (Kim Hee Jun), Big Hit Entertainment

Disponibilizada por: SPJM

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